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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Trocas

Aconteceu uma coisa que, pra mim, foi muito interessante. Uma amiga me ligou um dia desses pra me perguntar se podia passar meu telefone pra uma mãe da escolinha que sua filha frequenta pois ela estava precisando com urgência do Xeloda. E como eu passei por toda a via crucis pra conseguí-lo, podia ter informações boas e úteis. Com certeza nos falamos e fiz o que pude pra ajudar.  Mas não consegui ajudá-la além de passar as informações que tinha em mãos. Como essa situação me angustiou.... A sensação que eu tive foi exatamente a que tive quando estava correndo atrás do meu remédio. Uma pessoa que nunca vi e me comoveu e me preocupou tanto! Ela conseguiu o remédio pelo SUS no tempo previsto pra começar o tratamento. Fiquei muito feliz!
Mas o que achei tão interessante é que estamos todos ligados. E que é muito fácil desejar coisas boas pra quem a gente gosta, que é fácil querer ajudar quem a gente conhece, mas tenho recebido tanto de pessoas que eu nunca vi, nem falei, que aos poucos, essa rede de boas energias vai crescendo. Essa troca de informações, de carinho, acho que vão me mostrando aos poucos o que significa compaixão, de verdade.

"Compaixão é reconhecer no outro sua natureza estável, perfeita, luminosa, sua condição verdadeira, quebrando o encanto dos jogos mentais que estão produzindo as complicações." Lama Padma Santem

E posso completar assim: .... que estão produzindo as complicações e nos distanciando uns dos outros. Essas trocas nos reconectam, e isso é ótimo e necessário!


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Xeloda - Quimioterapia via oral

Quando fiquei sabendo que voltaria pra quimio, me deu um certo pânico momentâneo, vamos dizer assim. Logo comecei a questionar outras possibilidades que eu tinha visto no Dr. Google até me dar conta de que o que eu tinha era isso mesmo, pelo menos por enquanto. É que quimio assusta mesmo sabendo que vai fazer mal pra fazer bem no final das contas. A gente logo pensa no enjôo, na indisposição, na fadiga, no cabelo caindo, na mucosite, na cor "amarela pálida eu tô bem doente", na queda da imunidade.......enfim, em tudo que dói e machuca. Eu, pelo menos, me sentia frágil igual a um filhote de passarinho.
Mas o que veio foi quimioterapia via oral com o Xeloda: não cai o cabelo, não dá enjôo, nem fadiga. Pode dar mucosite, queda de imunidade e a tal síndrome mão-pé que pode causar dormência, formigamento, inchaço, dor, descamação e bolhas causando desde um desconforto até a impossibilidade de realizar atividades diárias e trabalhar. Bom, não tive nenhum efeito colateral!
Mas tive uma dor de cabeça fenomenal porque não é uma medicação coberta pelo convênio e é cara! Impossível pagar um tratamento desses por tempo indeterminado, pelo menos pra mim! Nem todo plano de saúde cobre quimioterapia via oral e, os que cobrem, normalmente não cobrem remédios importados.
Meu médico me encaminhou para um posto do SUS, o Maria Zélia na Rua Jequitinhonha número 360 no Belém. Lá é um dos lugares que se pode conseguir remédios de alto custo pelo SUS, claro que passando por uma burocracia e, ainda, somente se o pedido for aprovado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Preenchemos todos os relatórios e juntamos toda a documentação pedida e, ainda assim, meu pedido foi negado! Fiquei completamente sem chão! Ver o meu pedido negado em um telegrama sem explicação ou justificativa me deixou completamente desolada, me senti completamente abandonada pelo Estado.
Há mais ou menos 1 ano atrás, minha cunhada que é advogada tinha me mandado um link de uma matéria sobre alguns casos ganhos na Justiça contra planos de saúde que se negam a cobrir o tratamento necessário para pacientes com câncer. Por coincidência, minha cunhada me reenviou a tal matéria. Resolvi ligar e marcar uma conversa. Fui muito bem atendida e saí de lá com a certeza que não teria mais nenhum tipo de problema em relação ao meu tratamento junto ao convênio. Mas o que eu teria que pagar pra ter a garantia desse tratamento, por mais que eu ache justo, seria difícil pagar, pelo menos naquele momento. Nada resolvido.
Saí de lá e passei no meu trabalho pra conversar um pouco com o meu chefe sobre o meu retorno. E são em momentos assim, sem qualquer expectativa, que a vida dá pra gente alguns presentes. Encontrei com o dono do restaurante aonde eu trabalho e, conversa vai conversa vem, contatos conectados, em pouquíssimos dias eu já tinha uma consulta marcada no SUS. Saí de lá com o Xeloda embaixo do braço...... minhas pílulas mágicas que, devagarinho, vão levando essa doença embora.